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11 de julho de 2010

Polvo, a alegria dos espanhóis


Ah, Polvo Paul! O Sr. que se cuide pois na Espanha o polvo sempre esteve na moda. De corpo mole e sem esqueleto, o polvo, molusco marinho da ordem Octopoda, possui oito braços que, cozidos, assados ou grelhados, temperados com sal, azeite, pimenta, cebola, páprica, limão ou o que mais permitir sua imaginação, tornam-se verdadeira iguaria. 

Na Espanha, há vários lugares altamente recomendáveis para degustar um bom polvo. Confira:

- Polvo à galega em Madrid, no Maceiras – Calle Huerta, n. 66


- Polvo à galega em Barcelona, na Pulperia Celta - Carrer de la Mercè, n. 16

 - Polvo à galega em Formentera, no Can Toni, em La Mola.

 - Polvo ao forno em Sevilha, na Cerveceria Giralda – Mateos Gago, n. 1

Em São Paulo, indico o polvo à Tasquinha, da Adega Santiago e o téntáculo de polvo com tomate e alho poró do Vito (foto abaixo).


E como mesmo antes da Copa do Mundo  já era fissurada em polvo, costumo preparar em casa. Segue abaixo uma receita fácil, rápida e deliciosa.


Polvo à galega ou Pulpo a la gallega
2 litros de água
1 polvo grande, limpo e sem cabeça
4 folhas de louro
3 dentes de alho
flor de sal
azeite extra virgem de ótima qualidade
2 colheres de páprica doce

Coloque o polvo em uma panela de pressão. Junte a água, os dentes de alho e as folhas de louro. Deixe ferver por mais ou menos 35, 40 minutos.  Tire do fogo e veja se está macio o suficiente. Corte os braços do polvo em fatias. Tempere com flor de sal, páprica e azeite. Sirva quente e, se desejar, com batatas cozidas.

5 de julho de 2010

Eventos em Paris no mês julho


 Paris ... ah, Paris! O destino europeu preferido dos brasileiros e, talvez, do mundo todo. E a cidade luz ferve no verão. Com dias longos, que duram até às 22 hs., há programas de sobra para você se divertir.
Destaques:
- De 03 a 13 de julho: Festival de Cinema de Paris.
- Dia 14 de Julho: Queda da Bastilha, feriado nacional e evento mais comemorado pelos franceses. Há diversos shows de música e fogos por toda a cidade. Fique atento pois a comemoração começa na véspera, 13.07. Para saber mais, acesse o site oficial da cidade de Paris.
- Dia 25 de Julho: encerramento do Tour de France

Acesse o site Bonjour Paris e conheça a programção completa do mês de julho. Profitez vous!

30 de junho de 2010

Uma viagem que cabe no seu bolso - 30.06.2010

Quer fugir da cilada do cartão de crédito quando for para a Europa? Então ouça as minhas dicas no programa Elas e Lucros de hoje, às 8:40, na 107,3 FM. Para ouvir, clique: Programa Elas e Lucros - 30.06.2010.

26 de junho de 2010

Dicas de planejamento de viagem: Europa

 Para quem perdeu o programa na 107,3 FM na última quarta-feira, ou para quem ouviu mas não teve tempo de anotar, seguem dicas para tornar possível aquela viagem para a Europa que você tanto sonha.

1. Programe-se com antecedência e, se possível, fuja da temporada: aconselho que a viagem seja programada com, no mínimo, de 3 a 4 meses de antecedência. Há quem me acuse de ser certinha, organizadinha demais - Sra. Providência, brinca uma amiga - mas numa viagem agendada de última hora, você certamente pagará o preço da urgência.

2. Fique de olho em promoções de passagens e hotéis pela internet: há sites de hotéis e companhias aéreas que fazem ótimas promoções exclusivamente pela internet. Pequenas variações de datas, bem como o tempo de permanência em um hotel podem fazer a diferença na hora de conseguir promoções. E lembre-se: quantos mais destinos você for visitar, mais irá gastar com locomoção. Para viajar dentro da Europa, consulte as companhias low fare, que têm preços acessíveis. Não se esqueça que geralmente o limite de bagagem para vôos internos é de, no máximo, 20 quilos, e o valor cobrado pelo excesso, quando permitido, é exorbitante - chega a dar para viajar de novo!

 3. Considere a possibilidade de alugar apartamento ao invés de hospedar-se em hotéis: dependendo da quantidade de pessoas, as diárias podem até ser mais baratas. Além disso, há outro fator que pode contribuir no orçamento: hospedado em apartamento, você poderá fazer refeições em casa - ótimas refeições, por sinal. Não é diverdido e interessante perambular pelo supermercado em  outro país, frequentar a mercearia e a padaria do bairro ou explorar a feira livre, trazendo artigos fresquinhos na sacola?  Some o útil ao agradável: economia + conforto + cultura local (comida é cultura).

4. Seguem alguns sites para reservas de passagens, hotéis e apartamentos. Da lista abaixo, já testei e recomendo Holiday Velvet, Secret Places, Ibis Hotel, Easy Jet e A-partments.

Para passagens e hotéis: Submarino Viagens; Decolar.com

Para passagens de trechos dentro da Europa (cias. low fare): EasyJet; Vueling; Ryanair; Air Europa.


Para apartamentos: Holiday Velvet; Feel Paris (aptos. em Paris); A-partments (aptos em Amsterdam)

Para hotéis de charme (se estiver disposto a gastar um pouco mais): Secret Places; Rusticae; Relais du Silence

5. Ouça a coluna Uma viagem que cabe no seu bolso no programa Elas e Lucros de 23.06.2010, na 107,3 FM.

 Apartamento em Amsterdam, alugado pelo Holiday Velvet

22 de junho de 2010

A Provence imortalizada pelo Pós-impressionismo

Este texto está na Revista Legado, Ano IV, número 13, publicada este mês. É uma publicação da  Editora Letras & Lucros.

A exuberância da região inspirou grandes mestres como Van Gogh, Matisse, Picasso e Paul Cézanne com o colorido de sua vegetação, suas montanhas, suas paisagens litorâneas e vilas aconchegantes.


E, na medida em que viajamos em busca da beleza,
as obras de arte podem de modo discreto 
começar a nos influenciar com relação aos
lugares que gostaríamos de visitar.
Alain de Botton, em A Arte de Viajar

 Guiados pelos mais diversos motivos, importantes pintores foram levados à Provence nos séculos XIX e XX. Seduzidos pelas luzes e cores intensas, proporcionadas pelo sol do clima mediterrâneo, o trabalho deles retratou a alma provençal: a exuberância natural da privilegiada região, com suas vibrantes paisagens litorâneas, o interior montanhoso salpicado de aconchegantes vilas e inspiradora e colorida vegetação.
Tais características fazem atualmente da Provence um dos destinos turísticos preferidos na Europa.

CÉZZANE


Ao contrário de outros pintores que se dirigiram à Provence – é o caso de Van Gogh, Matisse e Picasso – Paul Cézanne é natural da região. Nasceu na cidade de Aixen- Provence, em 19 de janeiro de 1839 e lá permaneceu até 1861. Naquele ano, influenciado pelo amigo de colégio Émile Zola, Cézanne partiu para a capital francesa em busca de desenvolvimento artístico, abandonando os estudos de Direito, que seguia para satisfazer os anseios paternos.
Durante os anos de colégio, previamente à partida de Zola para Paris, em 1858, Cézanne, Zola e Baptistin Baille aproveitavam os fins-de-semana no campo, devorando poesia e tornando-se efetivamente parte da natureza.
O pai de Cézanne adquiriu em 1859 a propriedade chamada Jas de Bouffan. Na época com vinte anos, o pintor já espiava e admirava a Montanha Sainte-Victoire.
Em Paris, Cézanne conheceu o pintor impressionista Camille Pissarro da Academia Suíça. Pissaro tornou-se seu mentor.
Em 1863, após ser recusado no Salão de Paris, o pintor expôs no Salão dos Recusados. Somente em 1882, e pela única vez em toda sua carreira, o artista é aceito no Salão de Paris e exibiu o Retrato de Louis-Auguste Cézanne, pai do artista.
Durante essas duas décadas, Cézanne alternava-se entre Paris, Aix e Estaque, vila marítima próxima a Marseille.
Em abril de 1886 ele se casou com Hortense Fiquet, com quem convivia há dezessete anos. Com a morte de seu pai, em outubro daquele ano, o artista passa a viver definitivamente em Aix, iniciando assim a fase essencialmente provençal de sua obra.
Em 1887 o pintor alugou um quarto no Château Noir e passou a explorar sistematicamente o campo e retratou, de maneira incansável, a Montanha Sainte-Victoire – fala-se em sessenta quadros.
Em 1895 ele alugou uma pequena casa em Bibémus, e continuou a trabalhar em seu tema predileto, as paisagens do campo, ainda obcecado pela Montanha Sainte-Victoire.
Após a morte de sua mãe e a venda de Jas de Bouffan, ele se estabeleceu em um apartamento na Rue Boulegon.
A partir de 1901 ele trabalhou em seu estúdio no Chemin des Lauves, de onde possuía uma vista magnífica da Sainte-Victoire e da cidade de Aix. Em 23 de outubro de 1906, Cézanne morreu vítima de pneumonia, após uma forte tempestade que o apanhara no campo. Viveu e morreu no campo, o seu lugar.

Cézanne nos arredores de Aix-en-Provence
› Jas de Bouffan A propriedade pertencente à família Cézanne nos anos de 1859 a 1899 pode ser visitada somente por meio de visita guiada. Para reservas, procure pelo Office de Tourisme.
› Pedreira Bibémus Há relatos de que Cézanne já frequentava o lugar desde a adolescência, acompanhado de Émile Zola. A partir de 1895 o pintor arrendou ali uma pequena propriedade. Uma diferente e estonteante visão da Sainte-Victoire se revela no local.
› Estrada Tholonet e Château Noir A Rota de Cézanne, como é chamada, oferece vista privilegiada da Sainte-Victoire e beira o Château Noir.
› Sainte-Victorie vista de Lauves Próxima ao estúdio alugado por Cézanne em 1901 pode-se chegar ao ponto exato em que o pintor montava seu cavalete, bem de frente para Sainte-Victoire.
› Office de Tourisme Para obter o mapa da região, se for se locomover de carro, ou para visitas guiadas a estes lugares, visite o Office de Tourisme, no centro da cidade. Place du General De Gaulle, 2 – tel. 33(0) 4 42 161 161 www.aixenprovencetourism.com.

VAN GOGH



 Nascido nos Países Baixos, em 20 de março de 1853, Vicent Willem Van Gogh em sua juventude interessou-se por assuntos religiosos, tendo cogitado formar-se padre. Mas por volta dos 27 anos, acreditando que a pintura poderia guiá-lo a Deus trocou a ideia do claustro pelos pincéis. Ganhou a pintura, ganhou a humanidade.
Sempre sustentado pelo irmão mais novo Theo, com quem manteve por toda a vida forte elo afetivo, Van Gogh se dedicou aos estudos das artes na Holanda e na Bélgica.
Somente em março de 1886 ele decide morar com Theo, que era marchand em Paris. Os irmãos dividem um apartamento em Montmartre, bairro parisiense preferido dos artistas na época, e Van Gogh passa a ter contato com Paul Gauguin, Henri de Toulouse-Lautrec, Emile Bernard, Camille Pissarro e John Russell.
Depois de dois anos em Paris, Van Gogh decide mudar- se para Arles, no sul da França. Sentia-se pouco à vontade na grande cidade com seu burburinho artístico e cultural. Embora tenha ficado por apenas quinze meses em Arles, o período foi determinante em termos de produção artística: aproximadamente 200 quadros, 100 desenhos e duzentas cartas. São desta época a Casa Amarela, O Quarto, A Cadeira de Gauguin, a série de telas intitulada Os Girassóis e tantas outras paisagens de árvores em flor, colheitas de trigo e noites estreladas.
De fato o pintor trabalhara demais à época, comparando-se a um lavrador sob o sol escaldante ou até mesmo a uma cigarra. Como resultado, Van Gogh retratou, na visão do próprio artista, aquilo que até então outros pintores provençais não haviam logrado êxito em retratar: a intensidade das cores, vivas e contrastantes. Vários tons de laranja, amarelo, vermelho, verde e azul passaram a ser utilizados de forma a maximizar o contraste.
Alain de Botton, em relato de viagem à região, declarou: “Meus próprios olhos se sintonizaram para ver a minha volta as cores que dominavam as telas de Van Gogh. Para onde eu olhasse, via cores primárias em contraste. Ao lado da casa, havia um campo roxo de alfazema ao lado de um trigal amarelo. Os telhados das construções eram laranja em contraste com um céu de um azul total. Verdes prados eram salpicados de papoulas vermelhas e cercados de espirradeiras”, ( A Arte de Viajar, pág. 212).
Em dezembro de 1888 deu-se o incidente em que Van Gogh cortou a própria orelha. Ficou internado por 14 dias no hospital de Arles, e depois foi internado em Saint-Remy, com quadro de depressão agravado, onde ficou pouco mais de um ano. Morreu apenas um ano e meio após o incidente, em julho de 1890, em Auvers, após atirar no próprio peito e murmurar a Theo: “La tristesse durera toujour” (A tristeza durará para sempre).
Mas em sua curta existência o artista atingiu seu objetivo: pintar o sul e torná-lo conhecido pela sua obra.

Van Gogh em Arles
› Espace Van Gogh - Place du Docteur Félix-Rey - tel.: 33 (0)4 90 49 39 39. A construção que data dos séculos XVI e XVII, abrigou o hospital da cidade, Hotel Dieu Saint-Espirit. O pintor ficou hospedado nele após cortar a própria orelha. O colorido jardim, aberto à visitação durante o dia, é muito semelhante à imagem retratada por Van Gogh em um de seus quadros.
› A Casa Amarela - Place Lamartine, 2. Pouco sobrou da construção que foi habitada pelo pintor. Mas é possível identificar o local.
› Café van Gogh - Place du Forum Arles. O atual Café Van Gogh, anteriormente denominado Café Terrace, foi reproduzido em 1888 pelo pintor, que costumava fazer várias de suas refeições ali. Trata-se de uma de suas obras mais famosas e conhecidas.
› Ponte Van Gogh - Canal d’Arles à Bouc. Localizada a alguns quilômetros da cidade, a Ponte Pencil, à época chamada Ponte Langlois foi pintada por Van Gogh, inspirado no estilo da pintura japonesa.
› Office de Tourisme d’Arles - www.arles-tourisme.com As informações detalhadas acerca das atrações turísticas podem ser obtidas na Oficina de Turismo da cidade. Lá também é possível agendar um tour completo, seguindo “os passos de Van Gogh”. As inspiradoras paisagens pintadas por Van Gogh, como as plantações de oliveiras que deram origem ao quadro Oliveiras com os Alpilles ao fundo, de 1889, fazem parte do passeio.

Explore a região
› Les Baux de Provence - localizado em Alpilles, região montanhosa, o minúsculo povoado fica encravado nas montanhas de calcário, aos pés das ruínas do antigo castelo de onde se tem uma vista deslumbrante incluindo as infindáveis plantações de oliveiras, de um verde aveludado. Há duas opções agradabilíssimas de hotel:
› L’Oustau de Baumanière - tel.: +33(0)4 90 54 33 07 www.oustaudebaumaniere.com. Hotel quatro estrelas no coração dos Alpilles, que oferece serviço de spa e alta gastronomia.
› La Cabro D’or - tel. : +33 (0)4.90.54.33.21 - www.lacabrodor.com.
› Maussane-les-Alpilles - Charmosa e calma, a cidade fica a quinze minutos de Les Baux de Provence.
› Moustier Sainte-Marie e Gorge du Verdon – pequena cidade encravada nas pedras, num desfiladeiro grandioso e que pode ser ponto de partida para o Cânion do Rio Verdon e a Route de Crêtes (D - 23), que oferece os melhores pontos para se ver o rio.

15 de junho de 2010

O Momento do Euro

A matéria pubicada na Folha de São Paulo hoje informa: os preços dos pacotes turísticos para a Europa estão até 26% mais barato. Resultado da crise econômica européia. E não é só: os valores das diárias de hotéis e dos serviços por lá também sofreram redução.
E o momento não é propício apenas para quem quer viajar de pacote agora ou no próximo mês, mas também para quem está programando a tão sonhada viagem, que ocorrerá daqui a seis meses, um ou dois anos. Mesmo que suas economias não sejam tão grandes, não tem problema: aproveite já acumule alguns euros no fundo da gaveta. Como diz o provérbio, "de grão em grão, a galinha enche o papo."
Confira a matéria na integra no site da Folha de São Paulo, clicando aqui.

13 de junho de 2010

Três Dias Perfeitos em Milão - Viagem e Turismo


Este texto foi publicado no Guia Temático O Barato da Itália - Viagem e Turismo - Ed. Abril, que está nas bancas desde 01.06.2010 e também pode ser adquirido no site da Loja Abril.

TRÊS DIAS PERFEITOS EM MILÃO

Parque, castelo, obras de arte, bons restaurantes e muitas vitrines de grife num roteiro completo pela capital italiana da moda a menos de € 50 por dia

Verdade seja dita (e sem rodeios): Milão é uma das cidades mais caras da Europa e, sem dúvida, a mais cara da Itália. Líder no país em termos de dimensão, educação universitária, programação cultural e atividade política, sua região metropolitana é o sistema nervoso da economia do país. Estrategicamente localizada, é a sede de aproximadamente 200 bancos italianos e outros 40 estrangeiros. De igual importância são os setores fashion e de design. Hoje há aproximadamente 12 mil empresas dedicadas ao mundo da moda, 800 showrooms e 6 mil outlets. Referência para o design internacional, o Salão Internacional do Móvel de Milão recebeu, na edição de 2009, pleno ano de crise, cerca de 300 mil visitantes. Em outras palavras: Milão cheira a dinheiro e negócios. Mas também – e eis a parte que mais interessa – a boa comida, bons vinhos, belas obras de arte. E é possível, sim, se divertir muito gastando pouco. Para ver de tudo um pouco, três dias são suficientes – inclusive com escapada às lojas, já que ninguém é de ferro. Ainda que seja só para namorar as vitrines...

DIA 1 - grandes postais

O roteiro pode começar com uma visita ao Duomo ((Piazza del Duomo, 02/7202-3375, duomomilano.it;  catedral: 7h/19 h, telhado: 9h/17h45; € 5 pelo elevador, € 3,50 pelas escadas ), uma das maiores e mais impressionantes catedrais góticas do mundo, que começou a ser erguida no século 14. Vá com calma e inclua no passeio a indispensável subida ao telhado, que pode ser de escada ou elevador. Os dois caminhos levam ao mesmo lugar: a maravilhosa vista da cidade (com sorte, terá os Alpes como pano de fundo) e a inigualável sensação de pisar no telhado da terceira maior catedral do planeta, que levou quase 430 anos para ser finalizada, em 1813.
Logo ao lado do Duomo fica a Galleria Vittorio Emanuele II (Piazza del Duomo), que liga a Piazza del Duomo à Piazza Scala. Construída no século 19 por Giuseppe Mengoni, é o símbolo da elegância dos milaneses. Homens engravatados em seus ternos bem cortados e mulheres em seus tailleurs e calçando o sapato da moda – com salto altíssimo, claro – dividem espaço com os turistas abastados que invadem as lojas de marcas famosas (ali fica a primeira loja da Prada, por exemplo) e outros que vão apenas olhar e encaram, no máximo, um cafezinho ou um delicioso gelato italiano (se você se encaixar nessa categoria, não deixe de provar o sabor de pistache, ultra macio, por € 6). É supersticioso? Então procure no chão, no centro da Galleria, o touro que tem fama de transmitir fertilidade. Basta colocar um de seus calcanhares sobre os testículos do animal e girar no próprio eixo. Não se preocupe com o mico, milhares de pessoas repetem esse ato todos os dias. Quanto aos resultados, aí já é outra história...
Dali, a pedida é seguir para a Piazza Scala, onde fica o impressionante Teatro alla Scala, casa de ópera construída entre os anos de 1776 e 1778. E, mais adiante, você pode adotar um dos melhores passatempos milaneses: a arte de lamber vitrines. Pegue a Via Alessandro Manzoni, percorra a Via Montenapoleone, a Via della Spiga e a Corso Venezia, que juntas, formam o “Quadrilátero de Ouro” onde estão reunidas as grandes grifes do mundo. Muitos cifrões para o seu bolso? Nesse caso, vale voltar em direção ao Duomo pela Corso Vittorio Emanuele II, onde as lojas sob as arcadas são bem mais acessíveis que as marcas do quadrilátero.
A essa altura, como a fome já deve ter batido, a dica é o Panzerroti Luini (Via Santa Redegonda, 16, 02/8646-1917, luini.it; 2ª 10h/15h, 3ª/sáb. 10h/20h), a melhor fast-food de Milão, que existe desde 1949, quando a família de Giussepina Luini mudou da região da Puglia para a cidade. Panzerotti é uma pizza frita crocante, com recheios variados (o de queijo com tomate é imperdível). Não se assuste com a fila: ela é grande, mas é rápida! E o bolso vai agradecer a experiência: a refeição sairá a € 7. Você terá de se virar por ali mesmo, encostado em alguma vitrine, ou até mesmo sentado na calçada, como os milaneses.
Aproveite a tarde para dar mais uma volta pelo centro histórico e visitar a Pinacoteca Ambrosiana (Piazza Pio XI, 2, 02/806-921, ambrosiana.it; 3ª/dom 10h/17h30h; € 7,50) para conferir, entre outras, as obras de Caravaggio e Botticelli.  Perto dali fica a loja Peck (Via Spadari, 9, 02/802-3161, peck.it; 2ª 15h30/19h30, 3ª/6ª 9h15/19h30, sáb. 8h45/19h30; Cc: A,D,M,V), um famoso empório para quem curte cozinhar e comer. Caso tenha se empolgado e prefira uma tarde de compras, a Via Torino tem boas lojas de grandes redes, como a Zara, a H&M, a Fnac e a Promod. Outro destaque é a Rinascente (Piazza Duomo, 02/885-2471, rinascente.it; 9h30/22h; Cc: A, D, M, V), loja de departamentos perto do Duomo que reúne uma série de marcas. No último andar, além de encontrar várias guloseimas para trazer na mala, você pode escolher entre restaurantes ou bares para tomar um aperitivo e jantar bem ao ladinho das torres da catedral. O Il Bar, com boas massas e risotos, é uma ótima pedida (€ 22 por pessoa, com taça de vinho e couvert). As luzes do Duomo acesas vêm de brinde...

Faça as contas
Transporte (bilhete diário de metrô): € 3
Entradas para as atrações (com a subida ao Duomo pelas escadas): € 11
Refeições: € 35
TOTAL: € 49

DIA 2 - Arte e parque

Com a visita já agendada previamente, programe-se para chegar à Chiesa Santa Maria delle Grazie (Piazza Santa Maria delle Grazie, 2, 02/9280-0360, cenacolovinciano.org; 3ª/dom. 8h15/19h;  € 6.50 + € 1,50 da reserva) com, no mínimo, 20 minutos de antecedência ao horário de sua visita para retirar o ticket na bilheteria. Afinal, você não gostaria de perder a oportunidade de ver a mais importante obra de Leonardo da Vinci, A Última Ceia, por chegar atrasado, certo? E aqui eles são super pontuais.
Ao sair, já na hora do almoço, rume para o Il Bolognese (Corso Genova, 3, 02/5810-0824; 2ª/sáb. 12h/14h45 e 19h15/0h – cozinha fecha às 23h; Cc: A, D, M, V), uma cantina tradicional, com ambiente bem típico, rústico e funcionários à moda antiga. Há um bufê de antipasti, no qual você poderá provar o excelente presunto cru com figo e melão. As massas feitas à mão são de excelente qualidade. Destaque para o espaguete à bolonhesa e para a lasanha verde. Mas a especialidade da casa é o fritto misto all' Emiliana, um fritado de frango, carneiro, maçã e abobrinha. A refeição, com taça de vinho e couvert, vai custar cerca de € 25.
À tarde, uma boa pedida é passear pelo Parco Sempione (entradas pelas Via Pagano, Via Bertani, Piazza Castello, Viale Elvezia, Viale Milton, Viale Gladio, Viale Alemagna e Viale Legnano; jan/fev e nov/dez 6h30/20h, mar/abr e out 6h30/21h, mai 6h30/22h, jun/set 6h30/23h30), um enorme jardim recheado de lagos. Leve uma canga e escolha uma sombra para descansar (isso também é turismo). Depois, aproveite para visitar o Castello Sforzesco (Piazza Castello, 02/8846-3700, milanocastello.it), uma fortificação do século 14 erguida pela família Visconti, cuja entrada é grátis. E termine o dia com uma refeição bem italiana – pizza! Há quem diga que a melhor da cidade é a da Pizzeria Grand’Italia (Via Palermo, 5, 02/877-759; 12h/14h45 e 19h//2h - a cozinha fecha às 23h30), famosa pela massa grossa. Vive lotada, o que é um ótimo sinal. A compensação: uma conta de € 12 por pessoa.


Faça as contas
Transporte (bilhete diário de metrô): € 3
Entradas para as atrações: € 8
Refeições: € 37
TOTAL: € 48

DIA 3 - O outro lado
  
Vale começar o dia na Pinacoteca de Brera (Via Brera, 28, 02/8942-1146, brera.beniculturale.it; 3ª/dom. 8h30/19h15; € 5), uma das maiores galerias de arte da Itália. Caravaggio, Bellini, Tintoretto, Raphael e Piero della Francesca são apenas alguns exemplos do que você verá. É fácil gastar o dia todo por ali, mas o ideal é reservar a manhã para explorar Milão um pouquinho mais no último dia. E emendar com um almoço no Brek (Piazzeta Umberto Giordano, 1, 02/7602-3379, brek.com; 12h/15h e 18h30/22h30), ali nos arredores, que tem um ótimo bufê self service recheado de produtos regionais e frescos, a cerca de € 15 por pessoa.
À tarde, dá para passear pelo delicioso bairro do Brera, o lugar das lojas bacanas, dos cafés, dos artistas, dos estudantes de Belas Artes. Na happy hour, a boa é seguir  para o Navilgli. Há vários bares para escolher à beira dos canais, caso do Spazio Movida (Ascanio Sforza, 41, 02/5810-2043, spaziomovida.it; 18h/2h; Cc: V). E lembre-se: você paga a bebida e os petiscos são de graça! Espere gastar € 15 com as bebidas e voltar feliz da vida para o hotel. Quer despedida melhor? 


Faça as contas
Transporte (bilhete diário de metrô): € 3
Entradas para as atrações: € 5
Refeições: € 30
TOTAL: € 38


ONDE É MELHOR

FICAR
O Vietnamonamour Bed and Breakfast (Via Alessandro Pestalozza 7, 02/7063-4614, vietnamonamour.com; diárias desde € 120) é simples, aconchegante, e tem apenas quatro quartos. Perto do Quadrilátero de Ouro fica o Town House 31 (Via Goldoni, 31, 02/70-156, townhouse.it/th31/; diárias desde € 179 para pacote de 3 noites; Cc: A, D, M, V), que se autointitula um pequeno hotel-butique. Está instalado num charmoso edifício do século 19. Seu irmão Town House 8 (Via Silvio Pellico, 8, 02/3659-4690, townhouse.it/th8; diárias desde € 297; Cc: A, D, M, V) é para poucos e bons. Em outras palavras: para quem quer ter o gostinho de se hospedar dentro da Galeria Vittorio Emanuele II (e pagar por isso, claro).

2 de junho de 2010

Viagem e Turismo - O Barato da Itália - Milão


Já está nas bancas o Guia Temático O Barato da Itália, da Viagem e Turismo. A mim coube a difícil tarefa de sugerir roteiros diários com custo máximo de 50 Euros na cidade mais cara da Itália: Milão (p. 22 a 29). Parque, Castelo, obras de arte, comidinhas ... vale tudo, até lamber vitrines! Boa leitura!

16 de maio de 2010

VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 12



Você acaba de retornar daquelas férias maravilhosas que tanto planejou. Corada, revigorada e de bom humor entra no elevador da empresa no dia em que retornará ao trabalho. Sua energia boa extravasa, contagia os demais (que, diga-se de passagem, estão evidentemente mal-humorados). Até que alguém, de lá do fundo grita seu nome, e diz: "Fulana, quanto tempo que eu não te via!!!"
Você, mantendo o bom humor e o sorriso no rosto diz: estava em férias. Estou voltando hoje. E lá vem: “De novo em férias? Você vive em férias! Para onde você foi?” E tão logo você revele o país ou cidade que visitou, surge uma dica imperdível, seguida de uma frase mais ou menos assim: “ai, que pena que você não visitou este lugar ... se a gente tivesse se falado antes....” O elevador abre e você sai, aliviada.
No início, aquilo incomoda um pouco. Mas depois passa, você esquece. Especialmente se programou sua viagem, se curtiu a fase de escolher o que fazer, para onde ir. Até mesmo porque a sua viagem não é necessariamente a viagem do outro, e vice-versa.
O que na verdade é bem pior que isso é estar em determinado lugar que sempre sonhou, ter a oportunidade de fazer alguma coisa única e, no fim, se dar conta de que não o fez porque simplesmente vacilou. Explico.
Sonhei com a Provence desde o dia que assisti Um Bom Ano, de Riddley Scott. Programei a viagem com muitos meses de antecedência, uns sete eu acho. Guias, livros, revistas, pesquisas na internet, tudo. E a viagem foi, de fato, maravilhosa. Além de tudo aquilo que havia escolhido conhecer, o fator surpresa surge e torna a viagem ainda mais especial: a cidadezinha diferente que o dono do restaurante indicou, a feira livre que surgiu no meio do caminho, uma atração que descobri no centro de informações turísticas da cidade, uma festa típica, o prato ou o vinho desconhecido.
Ao pedir informações de como chegar ao Cânion do Rio Verdon (Gorge du Verdon), foi sugerido ter como ponto de partida a altamente recomendável e charmosa cidadezinha de Moustiers Sainte-Marie (www.moustiers.fr).
Realmente a cidade é surpreendente. Pequena, linda e bem cuidada, fica praticamente encravada nas pedras. As oliveiras por toda a parte, o barulhinho de água do rio escorrendo pelo meio da cidade, as ruas desertas  e o silêncio durante a noite criam uma atmosfera única. E algo ali parece de mentira: a enorme colina, com sua longa escadaria e, no topo, a Capela de Notre-Dame-de-Beauvoir. Dizem que de lá há uma vista encantadora do cânion.
E sabe o que eu fiz? Não subi, de pura preguiça. E foi preciso tempo para perceber a besteira que eu tinha feito ... tempo o suficiente para não dar mais para voltar atrás.
Algo parecido aconteceu também na Espanha, em Formentera (www.turismoformentera.com), a menor das Ilhas Baleares (as demais são Maiorca, Minorca e Ibiza). Eu era totalmente obstinada por este lugar, que conheci através do filme Lúcia e o Sexo, dirigido pelo cineasta espanhol Julio Médem. Embora eu ame o filme, há divergências acerca do bom gosto de seu roteiro; já escutei opiniões de todos os tipos. O que me parece inquestionável é a beleza natural do lugar e o quanto isso se faz presente na vida de seus moradores. As cenas em que os personagens adentram as cavernas, chamadas covas, e, de um buraco no solo,  caem bem próximos ao mar, revelam a intimidade entre a ilha e seus habitantes. E essas covas estão por lá, algumas perigosas e outras, nem tanto, convidando o turista a uma pequena aventura. Preciso dizer o que eu fiz ? Ou melhor, o que eu não fiz!?!
Talvez isso tenha uma explicação: tenho ao menos uma desculpa para voltar!
Para dicas de roteiros em Formentera e na Provence, acesse o meu blog (http://aviagemcerta.blogspot.com).


12 de maio de 2010

Paris by Philippe Starck: Hotel Mama Shelter

Se você pretende curtir férias em Paris fora do roteiro óbvio/turístico, um bom começo é hospedar-se no Mama Shelter. Com design criado por Philippe Starck, o hotel conquistou diversas indicações importantes (Revistas Wallpaper e Travel and Leisure). Ele oferece conforto e modernidade, aliados a preços acessíveis (no mês de setembro, há diárias por 89 euros! Mas os preços podem chegar perto de 200 euros, no quarto mais luxuoso). Além disso, por ser localizado fora do centro da cidade, bem distante das atrações turísticas mais procuradas e do agito cosmopolita, poderá lhe proporcionar uma experiência bem diferente: a vida num bairro parisiense.

4 de maio de 2010

As melhores baguetes de Paris: resultado do Gran Prix de La Baguette 2010

Se for a Paris, praticamente em todas as refeições será servido pão, o alimento sagrado na mesa do francês. Mas se você é dos meus, amante de um bom pão, poderá experimentar as melhores baguetes da cidade luz, percorrendo os endereços dos 10 primeiros colocados no GRAND PRIX DE LA BAGUETTE DE TRADITION FRANCAISE DE LA VILLE DE PARIS - 2010.

Primeiro colocado
Le Grenier à pain, Michel GALLOYER et Anne-Marie GUILLARD
38, rue des Abbesses Paris 18ème

Segundo colocado
Daniel POUPHARY
28 rue Monge Paris 5ème

Terceiro colocado
Macaron's café Dominique SAIBRON
77, av. du Gal Leclerc Paris 14ème

Quarto colocado
Yves DESGRANGES
6, rue de Passy Paris 16ème

Quinto colocado
Philippe GOSSELIN
258, bld St Germain Paris 7ème

Sexto colocado
Xavier DOUE
163, av. de Versailles Paris 16ème

Sétimo colocado
Jocelyn LOHEZIC
143, rue de Courcelles Paris 17ème

Oitavo colocado
La Boulangerie d’Isa Isabel GAVETA
127, rue de Charenton Paris 12ème

Nono colocado
Mohamed ZERZOUR
50, rue de l’Amiral Roussin Paris 15ème

Décimo colocado
Mohamed ZERZOUR
324, rue Lecourbe Paris 15ème

3 de maio de 2010

Receita de cantucci toscani


Atendendo a pedidos, segue a receita do cantucci que aprendi na Toscana. Nem me perguntem se é bom, porque ocuparia uma página só tecendo elogios. O que posso dizer é: faça em casa! As amêndoas cruas sem pele e a essência de laranja em pó você encontra no Santa Luzia, em São Paulo. Fiz pequenas adaptações à receita, principalmente para converter as medidas.

Ingredientes
1,25 Kg de farinha de trigo
1,10 Kg de açúcar
12 ovos
500 gr. de amêndoas cruas e sem pele
1 colher de sopa de essência de laranja
1 fava de baunilha
1 colher de sopa de fermento em pó

Receita
1. Misture em um bowl bem grande, até obter uma massa homogenea, o açúcar, os ovos, a essência e a baunilha.
2. Em outro recipiente, misture a farinha e o fermento.
3. Adicione as duas misturas preparadas nos itens 1 e 2. Quando homogênea, adicione as amêndoas e misture apenas o suficiente para incorporá-las à massa.
4. Faça rolos com a massa. Cada rolo deve ter aproximadamente  5 centímetros de diâmetro.  O rolo terá o comprimento do menor lado da assadeira. Veja a foto abaixo e entenderá.
5. Coloque papel manteiga na assadeira, que não deverá ser untada. Coloque os rolos sobre o papel e dê uma leve achatada nos rolos, pois vão assar melhor e de maneira mais uniforme.


6. Pincele ovos nos rolos (misture 2 ovos, 2 colheres de sopa de água e uma pitada de sal).
7. Leve as assadeiras (2 a 3 rolos por assadeira, com espaço suficiente para que cresçam) ao forno a 180 graus, até que a massa fique dourada.
8. Corte na diagonal em tiras finas. Retornar ao forno até dourar. Sirva com Vin Santo.

18 de abril de 2010

VIAGENS DE CLAUDIA - Revista Elas e Lucros n. 11



Com lágrimas nos olhos, estaciono o carro em Torvizcón. Não conheci meu bisavô, mas estar ali, na cidade dele, a cidade em que ele nascera em 1886, era algo muito especial. Tentava imaginar como ele partira, em meio aquelas montanhas distantes, rumo à Piracicaba, por volta de 1900. Como partiram? Sabiam que nunca mais voltariam? Sabiam para onde estavam indo? E porque o Brasil? Queria que minha mãe e minha avó estivessem ali comigo. Queria que sentissem o que eu senti, por um minuto ao menos.
Ansiosa, com a cópia da certidão de nascimento de meu bisavô embaixo do braço, avisto a igreja, no topo do pueblo. Na primeira ladeira meu marido e eu já somos reconhecidos (os típicos turistas) e os locais nos oferecem pousada, restaurante, vinho e melão. Agradeço e resolvo pedir indicação para subir até a Iglesia. Sigo ladeira acima. Dou com o nariz na porta: a igreja estava fechada. Mas quando me dou conta, a carteira está pondo correspondências numa portinha bem ao lado. Ela me explica que o padre está em outra cidade e, simpática, se despede. No desespero, falo com uma senhora vizinha, pedindo ajuda. Ela me manda procurar a Paquita, mulher de Agostin, que costuma ajudar nas atividades da paróquia. E como acho a Paquita? A resposta é óbvia: pergunte a qualquer um, todo mundo conhece a Paquita.
Então, apresso o passo para alcançar a carteira. Ninguém melhor do que ela, a carteira Loly, para nos levar até a Paquita. Bingo. Loly confessou saber exatamente onde moram cada um dos 700 habitantes de lá. Em dois minutos estávamos frente a frente com Paquita, a simpática mulher de Agostin. Meio sem graça, ela nos diz não saber como ajudar. Então, cogito lhe deixar a cópia da certidão de meu bisavô, e mais vinte euros para postar a certidão, caso a encontre. Tudo certo! E, esperançosa, dou adeus a Loly e a Paquita. Ladeira abaixo rumo ao carro. Novamente nos oferecem pousada, restaurante, vinho e melão.
Decido comprar o famoso doce de figo que havia lido em algum guia e a sorridente Maruja nos leva até a sua Pensión Moreno. Ela mostra sua produção caseira de vinho, no porão de sua casa, vende o tal pan de higo, postais e alguns recuerdos (precisava trazer algo de lá para a família). Oferece bolo de maçã, que, por sorte, não recusei. Seria estúpida se recusasse. Era divino. Ela tentou me ensinar, mas em espanhol, difícil. Ë melhor mesmo, porque nunca seria igual, não igual ao dela, não igual ao que comi em Torvizcón.
Então, com um sorriso ainda maior nos lábios, ela me diz: "Vou lhe dar um pouco de erva buena .Quer um pouco de erva buena, não quer!?! Meu Deus, penso eu! Erva Buena?!?! Com receio, digo que sim. Ela some. Silêncio no ar. Ela resurge, com um saquinho plástico na mão. Ela me entrega e diz que é para colocar em cozidos, carnes e para ensopados. Ufa!!! Ela abre o saquinho, bem no meu nariz: menta, a mais pura menta! Mas não a que conhecemos aqui no Brasil, não a nossa hortelã. É erva buena! O saquinho está em casa. Talvez eu crie coragem de usar. E a Igreja, a Loly, a Paquita, o vinho, o melão e o pueblo de 700 habitantes estão na minha memória, para sempre! Assim espero.
Torvizcon fica num dos vales das Alpujarras de Granada, região que até a metade do século XX era isolada do resto da Espanha por montanhas de até 3 mil metros. Lá também ficam Bubion, Pampaneira e Trevelez, cidades praticamente dependuradas nas encostas das montanhas. Por aí, você já pode imaginar as estradas para chegar. Em um passeio de um dia é possível conhecer a região.

COMO CHEGAR À ANDALUZIA
  • Há vôos diretos de São Paulo a Madrid. De lá, pegue outro vôo para Granada ou Sevilha.
  • Separe de oito a dez dias e alugue um bom carro (air bag, freios potentes e com boa estabilidade), pois as curvas são de dar frio na barriga. Embora locadoras conhecidas mundialmente sejam mais caras, elas oferecem maior segurança ao consumidor.
  • Visite Granada, Sevilha, Ronda e região, Tarifa e o Parque Nacional do Cabo da Gata. Esses últimos dois destinos são praias. Conheças as cidadezinhas!
  • Para tapear (comer tapas) em Granada, sugiro fugir dos pontos turísticos e ir direto para a Plaza de la Pescaderia, nos bares Cunini e Oliver. Peça chope, e as tapas (maravilhosas!) são por conta da casa.
  • Fique atento, pois no verão o calor é de doer. E permita-se fazer a siesta, pois ninguém é de ferro!
  • Com 150 euros por dia é possível pagar hospedagem e alimentação para o casal. Para a diária do carro, reserve não menos que 70 euros.
  • Sugestão de roteiro completo: http://aviagemcerta.blogspot.com/search/label/Andaluzia 


    17 de abril de 2010

    Paris para ler



    Embora tenha ido várias vezes a Paris, não conheci pessoalmente a Shakespeare and Company. Fiquei curiosa quando vi a livraria no filme Antes do Pôr-do-Sol (lançado em 2004, dirigido por Richard Linklater) e em certa ocasião, parti para Paris com uma reportagem a respeito dela, publicada na Ilustrada por conta do lançamento do filme. Por algum motivo, não fui.
    E agora, quase cinco anos depois, me deparo com a biografia de Sylvia Beach, a americana que, em 17.11.1919, abriu a Shakespeare and Company, em Paris, na Rue Dupuytren, com o intuito de especializar-se em obras de língua inglesa. Depois, a livraria mudou seu endereço para a Rue de L'Odeon. Lá, Sylvia conheceu James Joice e, após árduo trabalho, publicou a grande obra do autor, Ulisses. A livraria se tornou ponto de encontro de intelectuais e símbolo da resistência ao Nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1941, devido à pressão do exército alemão, Sylvia fechou a loja. Ela morreu em 1962.
    Após a morte de Sylvia, um homem chamado George Withman, proprietário de uma livraria de nome Le Mistral, comprou o acervo de livros da falecida. Então, em 1964, no ano do quadricentenário de aniversário de Shakespeare, George rebatizou sua loja de Shakespeare and Company. Na virada do milênio, Jeremy Mercer, jornalista canadense, hospeda-se por um ano na pitoresca livraria da Rive Gauche, com vista para a Notre-Dame, e conta um pouco de seu cotidiano.
    Para conhecer mais das histórias dessas livrarias e de seus assíduos frequentadores, as dicas de leitura são Shakespeare and Company - Uma livraria na Paris do entre-guerras, de Sylvia Beach e Um livro por dia - Minha temporada parisiense na Shakespeare and Company, de Jeremy Mercer, ambas publicções da Casa da Palavra, podem ser encomendados na Livraria Cultura.
    Para quem quiser conhecer a atual livraria, acesse o site da Shakespeare and Company ou vá a Paris, na Rue de la Bucherie, 37. Aberta todos os dias de seg./sex., das 10h. às 23h. e de sáb. e dom. das 11h. às 23h.

    8 de março de 2010

    Stuzzi Sorveteria

    Quando voltei da Itália, em outubro do ano passado, completamente fascinada com o sorvete de lá, não cansava de me perguntar porque uma cidade como São Paulo não tinha uma sorveteria daquelas. O fato é que, na verdade, eu não conhecia a Stuzzi Gelateria Italiana. Localizada numa esquina próxima ao metrô Vila Madalena, a Stuzzi não deixa nada a desejar se comparada à Vivoli, de Firenze (na qual me viciei em apenas 4 dias de férias). Os sabores variam, pois a filosofia é utilizar ingredientes da estação para extrair o que eles têm de melhor. Muitos deles vem da Itália. Meus sabores favoritos: zabaione com amarena (uma espécie de cereja), pistache e iogurte com frutas vermelhas. Se der uma passada lá no fim-de-semana talvez a gente se encontre ... vou estar com uma casquinha de zabaione com amarena na mão ... e uma embalagem para viagem na outra! Anote: Rua Paulistânia, 450 - tel. 3816-0279.

    O balcão

    Zabaione com amarena

    6 de março de 2010

    Trattoria del Faggioli

    Faz alguns dias, publiquei um post sobre o B&B Le stanze di Santa Croce, em Firenze. Lá, fui bem rebebida pela simpática e prestativa Mariangela. Ela me indicou o Fagioli restaurante como uns dos melhores restaurantes da cidade e, enfaticamente, sugeriu que eu não deixasse de ir. Como as dicas que ele havia me dado tinham sido ótimas, decidi que não poderia perder. Mesmo sem ter tanta fome assim, me dirigi ao restaurante no horário de abertura, oito da noite, pois lá as pessoas costumam sair cedo para jantar e, além disso, era sexta-feira. Para meu desespero, apenas 15 minutos após a casa abrir, não havia mais lugares disponíveis; os poucos vagos aguardavam as reservas. Um senhor muito simpático, me avisou educadamente: sinto muito! E aí, já sabe, a dificuldade aumenta a necessidade, e o desespero tomou conta de mim: "pelo amor de Deus, vou embora amanhã!" "Ah, sinto muito", disse ele. Mas eu não arredei o pé: "foi a Mariangela quem me mandou aqui!" Ele fez charme. Consultava o caderno de reservas, olhava pra os lados, contava os lugares, dava uma bufadinha. Até que resolveu me conseguir um lugar numa mesa coletiva de uns 10 lugares.
    Numa ponta, um casal de canadenses. Na outra, três alemães. No meio, euzinha, sem ninguém na minha frente, olhando para os pratos alheios e para a cozinha. Comecei bem: brusquetas divinas! As melhores que já comi. Depois, dei uma fuçada na cozinha, esticando os olhos pelo passa-pratos...."Hummm, quero aquele bolinho ali, aquele de carne". "Só ele? Não quer que eu ponha um pouco de porccini da estação?" Era época de cogumelos, aqueles danados de bom. Quem sou eu para rejeitar! Aceitei! Queria mais colgumelos, muito mais, de tão saboroso. Mas eu ainda tinha que comer o nhoque....
    Enquanto eu fotografava os pratos, a canadense ao lado me olhou com cara de dó e perguntou se eu queria que ela tirasse uma foto de mim. Deve ter pensado que eu tirava fotos das comidas porque, como eu estava sozinha, era a única coisa que me restava fazer (tipo as pessoas que vão sozinhas ao restaurante e ficam grudadas no celular, sabe?).
    De repente, eis que chega à mesa:  gnocchi di zucca! Quase não acreditava, de tão bom! Imaginava que a abóbora poderia deixar a massa pesada, mas não! Era leve, delicioso! Ainda sobrou um espacinho para a sobremesa, torta de pera. Sai radiante. Rolando, mas radiante.... não é isso que importa?

    Anote: Corso dei Tintore, 47 - fecha aos sábados e domingos (Vai entender. Não dá para ser pefeito!)



    22 de fevereiro de 2010

    Por onde andam os fiorentinos?

    Quatro dias em Firenze é pouco para conhecer todos os cantos por onde andam os fiorentinos. Nem tinha essa pretensão. Mas um destino certo é o Mercado de Sant' Ambrogio. O passeio no mercado é algo fascinante! É óbvia a intimidade entre o fiorentino e a comida (a boa comida). Está no brilho dos olhos dos fiorentinos o prazer em escolher aquilo que tornará o seu prato mais saboroso e sua família mais feliz. Está na voz de quem trabalha a preocupação em oferecer o que há dem melhor, mais colorido e mais bonito. Está no ar o aroma das ervas, frutas e legumes frescos. Se ao ler, se animou, é porque também vai gostar! Anote o endereço: Piazza Lorenzo Ghiberti, próximo ao cruzamento da Via dei Macci com Via Andrea del Verrocchio.








    21 de fevereiro de 2010

    Segredinho em Firenze - Le Stanze di Santa Croce B&B

    O site Secret Places, que eu já venho indicando há algum tempo, acertou de novo. Em Firenze, escolhi o Le Stanze di Santa Croce. Na chegada, um bilhete de boas-vindas acompanhado de um mapa da cidade. Ninguém por perto, só a promessa escrita de encontrar a anfitriã Mariangela no café-da-manhã do dia seguinte. O quarto colorido e bem decorado, cheiroso, os lençois branquinhos e deliciosos já me acolheram de imediato. No dia seguinte, Mariangela me recebeu como quem recebe um amigo em sua própria casa: me deu do bom e do melhor para comer, serviu café fresquinho, sentou e bate-papo na maior simpatia! Aliás, fizemos isso com gosto durante os quatro dias que estive lá. Além disso, as grandes experiências gastronômicas que tive na cidade ocorreram por indicações dela. E o que mais ainda ela podia fazer por mim? Guardar toda a tralha que comprei e não tinha condições de carregar até o curso de culinária. Ótimo. Um motivo para voltar depois, e ficar mais uma noite .... e foi exatamente o que eu fiz!

    20 de fevereiro de 2010

    Leve a canga para Firenze


    Por incrível que pareça, no meio de toda aquela turistada, dos guias com seus grupos disputando lugar nas filas para ver mais uma obra renascentista, há um lugar calmo em Firenze, em que você pode simplesmente esticar sua canga, curtir, descansar,  beber ou fazer o que bem entender. A dica é a Piazza Santa Maria Novella. Descansado? Baterias recarregadas? Então disponha-se a conhecer o bairro, que é demais!

    10 de fevereiro de 2010

    Receita da Toscana: Molho de tomate



    Sofritto - é uma base tradicional usada em várias receitas, como molhos e sopas. É o que aqui chamamos de refogado, e pode ser feito somente com cebola e azeite ou alguns outros ingredientes, como alho, cenoura e echalotes. Adicionar sal bem no começo é uma dica importante para que os vegetais soltem a água.
     
    7 colheres de sopa de azeite extra virgem (aprox. 120 ml)
    2 cenouras descascadas e picadas
    1 talo de erva-doce picado
    2 cebolas médias
    1 kg de tomates maduros, com casca e pele, cortados em quatro pedaços
    1 maço de manjericão
    Sal e pimenta moída na hora a gosto

    1.   Coloque os ingredientes numa frigideira grande, exceto os tomates e o manjericão, adicione sal e pimenta e cozinhe em fogo baixo por 15 minutos, mexendo sempre.
    2.   Adicione os tomates cortados e agora deixe cozinhar mais 20 minutos ou o tempo necessário para os tomates dissolverem.  Mexa sempre.  Coloque o manjericão fresco (deixe afundar no molho para que não escureça) e bata no liquidificador até atingir a textura que preferir.

    Sirva e aproveite! É uma delícia!